ARTESANATO SERGIPANO - Por Renata Maria

20/02/2008, 15:41

 

Entranhado na história dos agrupamentos rurais e urbanos, o artesanato apresenta grande riqueza de formas e tipos, sendo executado com matérias-primas diversas: barro, madeira, palha, cipó, tecido, linhas entre outros. Transmitido de geração a geração por processos informais de aprendizagem, o artesanato de tradição hoje se defronta com o desfio de atender às novas demandas do mercado, conservando características que o identificam e dele fazem uma expressão das artes e ofícios dos sergipanos. Expressão cultural difundida em todo o estado, o artesanato é inseparável da vida econômica das populações, apresentando-se como fonte de renda para milhares de pessoas.

Amparado por entidades publicas ou particulares, e através das associações dos próprios praticantes dos ofícios, o rico artesanato sergipano ganhou visibilidade. A cerâmica de Santana do São Francisco (antigo Carrapicho) e de Itabaianinha, as rendas irlandesas de Divina Pastora, os bordados de Tobias Barreto e de Lagarto, o rendendê, associado ou não ao ponto de cruz, produzido em vários municípios como Aquidabã, Cedro de São João e Malhada dos Bois, são alguns exemplos desse artesanato que, rompendo as fronteiras do Estado, ganha o mundo. Outros, porém, têm áreas de ocorrência e praticantes em número restrito, como rendas de bilro de Poço Redondo.

Algumas cidades são centro destacados de comércio de artesanato, como Tobias Barreto, Própria, Simão Dias, Cedro de São João e Aquidabã. Aracaju reúne variedade artesanal de todo o Estado e o põe à venda no Centro de Turismo, no Mercado Central e no Centro de Arte e Cultura de Sergipe, localizado na praia de Atalaia.

Entre os artesãos que se destacam pela singularidade e excelência do seu trabalho estão Veio (Nossa Senhora da Glória), Mestre Tonho (Poço Redondo), e Zé do Chalé (Aracaju), com trabalhos em madeira. Na cerâmica figurativa os destaques maiores são: Judite (Estância) e Beto Pezão ( Aracaju).

O artesanato sergipano é bastante variado, com peças de renda, bordado, couro, sisal, esculturas de madeira e barro. Os trabalhos de couro e sisal têm sua maior concentração no sertão do Estado.

A renda está presente em Tobias Barreto, Nossa Senhora da Glória, Propriá, Santana do São Francisco, Divina Pastora e Cedro de São João. O Bordado em Propriá e Tobias Barreto. Os trabalhos com argila, que geram belas peças de cerâmica são o forte de Santana de São Francisco. Vale destacar na cidade de Tobias Barreto a Feira da Coruja, realizada sempre aos domingos, à meia-noite, para a comercialização do artesanato local.

Sergipe é o estado do nordeste que apresenta maior número relativo de ocorrências de produção artesanal, com 65 dos municípios produzindo artesanato que representa aproximadamente 87% do total de municípios do estado e um cadastro com 4.720 artesãos.

As principais tipologias são: bordados, cerâmica, escultura de madeira, renda irlandesa e couro, cabendo aos bordados o maior potencial exportador.


Algumas cidades de Sergipe vivem quase que exclusivamente do artesanato. Em Santana do São Francisco, 70% da população trabalham com a cerâmica. As oficinas funcionam dentro de cada casa. 

Fonte: www.turismosergipe.net

Artesanato de Sergipe
 

Rico em belezas naturais, Sergipe é, também, o berço de magníficas manifestações de arte popular. É uma grande pluralidade de produção artesanal, fruto de mãos de gente simples, que, com dedicação e amor a arte, valendo-se de técnicas arcaicas, passadas de pais para filhos, cria e recria belíssimas peças, transformadas em fonte de renda e em elemento de identidade sócio-cultural.

Os artesãos produzem as mais diversas peças com destaque para a renda irlandesa em Divina Pastora, as rendas de bilro em Poço Redondo e bordado tipo richelieu em Tobias Barreto; a cerâmica em Santana do São Francisco, Simão Dias e Itabaianinha; o artesanato em palha nos municípios de Brejo Grande, Pacatuba e Pirambu; a produção em papel no município de Cumbe; as bonecas de pano de Nossa Senhora das Dores; além dos artistas que se destacam isoladamente em todo o estado.

Rendas
Uma das maiores expressões do artesanato sergipano é renda irlandesa de Divina Pastora, que exige mão-de-obra bem treinada, cuidadosa e paciente e tem como maiores expressões Dona Alzira e Dona Zu. Originária da Itália, a renda teve sua tradição mantida nos conventos da Irlanda, de onde se difundiu para diversas partes do mundo, sendo desenvolvida com uma técnica única em Divina Pastora. Caracterizada pelo uso de lacê, um cordão sedoso e elaborada com linha e agulha, a renda obteve destaque nacional também no mundo da moda no ano passado em um desfile no Centro Cultural de Moda de São Paulo, quando o estilista Altair Santos criou vestidos longos e espartilhos com os bordados.

Em Poço Redondo, o destaque é para as rendas de bilro produzidas por idosas do município, com idades entre 65 e 87 anos. Como o nome sugere, o instrumento utilizado para a execução deste tipo de renda são os bilros, peças de madeira que não excedem a 15cm, compostas de uma haste com a extremidade em forma de bola.

O rechilieu é encontrado em Tobias Barreto, onde bordadeiras nos povoados produzem o rechilieu bastante comercializados na sede do município. A produção do bordado começa com os desenhadores e estampadores. É então que os tecidos seguem para as bordadeiras acompanhadas de uma chapa com as indicações das cores e pontos a utilizar.

Cerâmica
Santana do São Francisco, antiga Carrapicho, é considerada a capital sergipana do barro por ter a produção de cerâmica como sua principal atividade econômica e tem como principais artesãos Beto Pezão, Cachoba, Cristina Francisca Pires, Zé de Flora, Edilson Fortes e Pedro das Pedras, que criam obras de arte que encantam os visitantes da cidade. O artesanato absorve cerca de 70% da mão-de-obra local. É difícil encontrar um fundo de quintal onde os moradores não fabriquem peças de barro. Os que não têm valor artístico para criar verdadeiras obras-primas, fazem jarros, moringas, animaizinhos.

A cerâmica é produzida também em diversas partes do estado, destacando-se os artesãos dos municípios de Simão Dias, que utilizam uma técnica a mão, caracterizada pela rusticidade e Itabaianinha tem o artesão Nem como a maior expressão, com suas peças utilitárias, inspiradas na cultura indígena.

Palha
Sergipe tem uma expressiva produção de artesanato de palha, que se concentra principalmente nos municípios de Brejo Grande, Pacatuba e Pirambu, localizados no Nordeste do estado. Na região é possível encontrar o material em abundância, já que possui vastos coqueirais. Com mãos hábeis, os artesãos traçam a palha que aos poucos vai tomando formas variadas como cestos, chepéus, abanadores, entre outros.

Artesanato alternativo
Mas não é só com material tradicional que se produz o artesanato no estado. No município de Cumbe, existe o primeiro grupo de produção de papel reciclado conhecida como Tudo Encaixa. O trabalho coletivo prioriza a reutilização das sobras de papel das instituições públicas, incluindo revistas e jornais velhos, que são transformados em objetos utilitários e decorativos. As peças elaboradas pelo grupo de artesãos de Cumbe chamam a atenção do consumidor pelo baixo preço e pela boa qualidade.

Vale à pena ainda destacar as bonecas de pano de Nossa Senhora das Dores, confeccionadas à mão por um grupo de idosas. Elas criam bonecas de diversos tipos, sejam elas grandes, pequenas, coloridas e tem também diversas peças em homenagems a presonagens do cotidiano do agreste sergipano como Lampião e Maria Bonita, o vaqueiro, o casal de noivos, entre outros.

Artistas em destaque
Sergipe tem ainda artistas de destaque no trabalho cuidadoso em diversos tipos de artesanado. Autodidatas, na sua maioria, aperfeiçoando no dia-a-dia seus trabalhos, os artistas populares têm características próprias, facilmente identificadas nos traços artísticos de suas obras. São famosas as esculturas de Pedro José da Silva,o Ará; Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio, que entrou no Guiness Book dos recordes, sendo da sua autoria a menor escultura em madeira; e Jorge Alves Siqueira, o Zeus. Tem ainda Júnior que elabora personagens do cotidiano do sertanejo em ferro; Mestre Antônio e Pinto, que transformam madeira bruta nas mais diversas obras de arte; Dona Judith com suas imagens sacras em barro; Wilton que elabora belíssmas peças como peixes e crustáceos e Gonzaga com suas redes de tear.
 

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